quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Feliz Natal!!!


Procurei uma foto de Papai Noel Tropical no Google e apareceu essa! Adorei!

Aqui estou eu! Fiquei um pouco sumida devido às comemorações do aniversário do meu maridão (é no plural, mesmo, foram dois dias e meio de festa, foi ótimo!!!!) e a um relatório de trabalho que estava precisando entregar antes das festas de final de ano para me sentir livre e com a sensação de "dever cumprido".Hoje entreguei o ditocujo e estou com uma leveza que dá gosto! Não sei se vocês são assim, mas eu NECESSITAVA entregar esse trabalho agora para me sentir realmente de férias. Até porque, se eu não entregasse, ia mexer nele até os 45 minutos do 2º tempo, como fiz ontem: as 11:30 da noite estava eu mudando um bando de coisas que já estavam fechadas pra mim. Mas entre mortos e feridos, salvaram-se todos, acho que meu trabalho ficou bem legal, tomara que as pessoas gostem.

Hoje, contaminada pelo clima de final de ano, pensei em escrever sobre o Natal. Semana que vem  vou postar aquele modelo de balanço de fim de ano que comentei com vocês. Saindo do trabalho hoje ouvi uma versão daquela música do John Lennon "Merry Christmas" num carro de som de propaganda e me deu a maior vontade de chorar. Acho essa música bonita. A melodia, porque a letra nem sei como é, vou procurar agora na internet. Confesso que nos últimos anos, não estava me sentindo muito ligada a essa data. Apesar de sempre achar legal estar com a família e adorar as comidas maravilhosas, sabe quando vc passa por algo impune? É uma sensação difícil de explicar teoricamente...Acho que esse frenesi de consumismo também me dava um nervoso, parece que fica tudo tão confuso. Aqui em Paraty tô passando por isso de uma forma diferente, aqui nem tem aonde as pessoas consumirem tanto assim...

Uma coisa que tenho reparado tanto pela minha vida quanto por ouvir o relato das outras pessoas é que quando a família tem crianças os Natais são sempre mais animados. Na minha família, tinham algumas brincadeiras: a famosa "mão no saco" (colocavam vários presentinhos dentro de um saco, uns legais e uns de sacanagem que eram beeem engraçados) e o bingo (que eu ganhei várias vezes mas sempre era um presente pra casa e eu acabava dando pra minha mãe). A montagem da árvore era algo mágico,desembrulhar tudo e botar cada bola e cada enfeite um diferente do outro (eu como sou nostálgica e vcs já sabem disso, implico um pouco com essas árvores modernosas que tem vários enfeites iguais e sem personalidade). E botar os presentes embaixo da árvore,  esperar o dia de abrir e ficar imaginando o que havia naqueles pacotes? Papai Noel eu não lembro de ter acreditado um dia, mas devo ter né? Outra coisa que lembrei, é que sempre tinham duas festa, uma era uma festona, daquelas que iam a família toda (primos, tios e tias de 2º e 3º grau, agregados, etc.) aquela muvuca mesmo...Com o tempo estas festas foram morrendo...E ficou só a festa com a família mais próxima mesmo...Que são legais também, mas diferentes. Uma coisa engraçada nessa festona que era da família do meu avô eram os amigos ocultos...Lembro que uma vez meu irmão ganhou meias de uma irmã do meu avô e ficou tão feliz...Só pra não dizer o contrário!!!Rsrsrs Se eu for parar pra lembrar, vão sair muitas histórias...Foi uma época bem legal...

Acho que hoje o que é mais importante pra mim no Natal é estar com a família, é estar junto das pessoas que eu amo. Quer dizer, de algumas pessoas que amo, porque também amo os meus amigos e não passamos o Natal juntos... Apesar de eu não me considerar uma pessoa religiosa e o Natal ser uma festa cristã, acho que Jesus Cristo foi um cara bacana. E que pregou a importância do amor entre as pessoas. E isso é uma coisa que às vezes parece estar em baixa em nosso mundo. As pessoas são muito levadas a ter, a ter mais, a acumular, a não dividir, a pensar sempre nelas e só nelas e nos seus...É só ver um pouco de televisão com um olhar atento e crítico que você percebe o quanto somos massacrados diariamente com essas mensagens...E o pior é que muitas pessoas não se dão conta disso e vão  engolindo como "certo"  e "desejável" tudo que lhes é exposto...Esses pensamentos vão se tornando verdades para as pessoas e elas vão se tornando cada vez mais endurecidas. Só pra dar um exemplo, outro dia em três novelas diferentes da Globo, vi personagens mulheres dizendo que queriam casar com um marido rico, que isso que era importante...Em TRÊS, repito, TRÊS novelas no MESMO DIA que são assistidas por milhões de brasileiros...E isso é só um exemplo...

Concluindo, acho que o importante é que mantenhamos o espírito e o clima que vigora no Natal o ano inteiro nas nossas vidas, como uma parte de nós mesmos...Um Feliz Natal pra todos os meus leitores queridos. Que vocês tenham uma ótima ceia (cheia de gostosuras típicas, na minha não pode faltar o tender) com aqueles que amam. Achei essa frase agora na internet que tem tudo a ver com o que falei no post: "An eye for an eye, will make us all blind" (Mahatma Ghandi). Um beijão.

PS: Esse blog tá ficando chique! Consegui baixar do You Tube a música do John Lennon que falei pra vcs! Se não conseguirem ver, me falem, que como nunca botei vídeos, não sei se está funcionando legal. Outro beijo!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A Sabedoria do Corpo




Você tem o costume de escutar o seu corpo? Os comunicados que ele te dá? Eu tenho feito isso na marra: geralmente só escuto o que meu corpo fala quando ele grita em forma de dor, de desarranjo intestinal, de cabelo ressecado, de travação de músculos, de unha fraca, de pele oleosa ou seca demais, de calça quase explodindo de tão justa, de sede, etc. Horrível né? Também acho. E juro pra vcs que me esforço pra mudar isso. E tenho conseguido, em partes. Acho que meu principal problema quanto a isso é não ter uma constância nas minhas ações. Tenho fases. Fases em que me empolgo em cuidar do meu corpo de uma forma quase militar: me exercito, me policio para beber bastante água, cuido da alimentação, etc. Aí de repente, se mudam as minhas condições ambientais ou psicológicas chuto o balde e fico um tempo assim. Até me incomodar o bastante para voltar a me cuidar de novo. E assim tem sido.

É claro, que posso estar sendo um pouco rígida comigo mesma. Por exemplo, antes de mudar pra Paraty, eu tava "toda toda" nesse aspecto: malhando, me alimentando legal (e sem radicalismos, nunca deixei de comer doce e beber minha cervejinha, mas tudo isso com moderação), bebendo bastante água...Quando me mudei, parei com tudo isso. Primeiro porque vim morar em um local afastado do centro da cidade. Então academia e alimentos saudáveis deixaram de ser tão acessíveis pra mim como eram quando eu morava no coração da Zona Sul do Rio de Janeiro, com uma bando de serviços à minha disposição. Logo que cheguei aqui, fiquei arrumando minha casa, quase não ia na cidade e passei por todo um período de adaptação a minha nova vida. Que não foi fácil. Ficar distante de tudo e todos que você conhece e ainda mais sem trabalhar, foi complicado. E aí dei uma boa descontada na comida e no sedentarismo.

Mas esse momento passou. Agora estou trabalhando, cheia de perspectivas e já me sentindo adaptada e parte do local onde moro. Eu tenho sempre um tempo até me sentir fazendo parte de alguma coisa. Então agora, comecei a me cuidar de novo. Mas ainda está faltando a parte do exercício físico. Essa eu ainda não voltei e sinto que preciso voltar, logo. Hoje eu estava na escola onde eu trabalho, fazendo uma entrevista com o professor de Educação Física para um trabalho que estou fazendo e ele disse que uma das maiores dificuldades que tem no seu trabalho é a de criar uma cultura corporal nos alunos. Acho que isso é uma coisa super importante. Eu posso dizer que fui criada numa família onde a cultura corporal era pouco incentivada. A cultura letrada, esta era bem forte: sempre vi minha mãe e meu avô envoltos com livros, desde adolescente ia a shows,concertos de música clássica, espetáculos teatrais  e sessões de filmes "cabeça" no Estação Botafogo com a minha querida mãezinha! Obrigada mãe por tudo isso! Isso contribuiu para eu ser a  pessoa que sou hoje. Mas a tal da cultura corporal foi um pouco deixada de lado...Mãe, isso não é uma crítica, não se sinta culpada ou ofendida, isso é só uma constatação, sei que você sempre fez tudo para dar o seu melhor como mãe...Dentro do que era e é possível pra vc! E você foi e é uma mãe maravilhosa, viu? (Tenho que explicar isso pra ficar claro pra ela, já que ela é uma das leitoras assíduas do meu bloguinho. Entendam a minha situação.)

Então, agora que a minha mãe já entendeu e não está se martirizando, voltemos ao assunto. Lembrei agora que minha mãe me colocou na natação e no balé quando eu pedi. E que aprendi a comer um monte de verduras e legumes quando fomos morar na rua D. Mariana, só nos duas. Pontos para a minha progenitora. Mas a questão parece ser mais aquela do exemplo mesmo; acho que as vezes a frase "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço" é um pouco ineficaz.Você precisa VER as pessoas fazendo as coisas, para APRENDER a fazê-las e a valorizá-las. Tem até um teórico da Psicologia que lembrei agora, que fala disso, o Bandura (não lembro do primeiro nome). E ele chama isso de aprendizagem social, se não me engano (os leitores psicólogos me corrijam, se eu estiver falando besteira). Mas, por mais que seja difícil criar a cultura corporal, não é impossível. Eu e quem tiver sido criado sem ela, só terá que se esforçar BASTANTE. Mas tenho FÉ que conseguiremos! Eu pelo menos (só posso falar de mim), já estou conseguindo, apesar das minhas fases!!!Cara, eu falo pra CARAMBA. Só uma constatação.

Uma outra coisa que tem acontecido comigo freqüentemente é eu pensar em fazer alguma coisa, e quando me percebo, estou fazendo outra. Às vezes penso assim: " vou sentar pra trabalhar no computador hoje, depois vou passar roupa, etc." E quando dou por mim, estou fazendo coisas completamente diferentes das que me propus no meu planejamento mental.. Acho isso engraçado! Eu ,como uma autêntica "cabeçuda" (aquela que tenta se enganar achando que tem o controle da sua vida pela mente) tomando olé do meu corpo! Acho engraçado e acho saudável, porque se afinal, acabei fazendo outra coisa do que eu tinha pensado e me programado em fazer, é porque essa outra coisa estava mais conectada com o que eu necessitava fazer e não com o que eu "deveria" fazer. E tenho deixado isso rolar solto, não tenho me cobrado quando isso acontece. Que bom pra mim! Fico feliz com isso. Ser muito "cabeçudo" às vezes é aprisionante! Os "cabeçudos" que estiverem lendo isso me entenderão.

O que eu sei é que preciso aprender a ouvir meu corpo antes de ele gritar e se esgoelar por atenção. E acho que ouvir o corpo, é saudável pra todo mundo. Nem só ser "cabeçudo", nem só ser "marombeiro". Acho que podemos ouvir nossa mente (que no final das contas também faz parte do nosso corpo, apesar de ser encarado como um ente separado e etéreo) E o nosso corpo (com E maiúsculo mesmo, pra dar bastante ênfase). Vejam bem, é E e não OU. Não é preciso haver dicotomias nesse assunto. Cada um dos dois tem o que dizer e precisa de atenção e valorização em determinados momentos! Já dizia o ditado: "Nem tanto ao mar e nem tanto a terra!"

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

"Qualquer maneira de amor vale a pena/Qualquer maneira de amor vale amar"

Oi leitores queridos! Andei um pouco sumida porque estava com muitos afazeres profissionais e domésticos! Fiquei até com um torcicolo por causa disso! Mas agora já estou melhor. A música citada no título é "Paula e Bebeto" de Caetano Veloso e Milton Nascimento. Achei que essa estrofe encaixou bem no tema que vou abordar hoje. Estou lendo o livro "O Primo Basílio" de Eça de Queiroz. Há alguns anos, quer dizer há exatamente 22 anos (fiquei com medo agora) a Globo fez uma minissérie baseada no livro. Eu lembro que eu era pirralha, tinha 11 anos, mas como estudava à tarde, acabava dormindo mais tarde que os pré-adolescentes que estudavam de manhã ( lembro muito bem que com essa idade eu ficava p. da vida quando me chamavam de criança, eu era uma pré-adolescente!!!rsrsrsrs Que metidinha!).

Assisti  a minissérie e lembro muito pouco (acho já comentei com vcs da minha memória problemática) mas lembro que a Giulia Gam era a Luisa, a mocinha romântica, e a Marilia Pêra, a Juliana, uma das empregadas da casa, amarga, invejosa, com poucos escrúpulos e que só se vestia de preto (ou com roupas escuras).

A história se passa em Lisboa e foi escrita em 1878, mas é incrível como poderia se passar nos dias de hoje. O livro tem umas palavras que não se usam mais hoje em dia, que só pegando o dicionário mesmo pra saber o que é, e isso quase me fez desistir no início. Mas persisti e não me arrependi. De acordo com a introdução da edição que estou lendo (que é de uma dessas coleções de clássicos da Abril), com esse livro, o autor "ataca as falsas bases da moralidade lisboeta." Então tá.

Pra quem não conhece a história, o Basílio do título é primo e ex-namorado de adolescência da Luisa. Ela é casada com Jorge e  parece levar uma vida tranqüila com ele: o ama, é amada por ele, vivem numa casa confortável, recebem os amigos de vez em quando, etc. São uma típica família burguesa do século XIX na Europa. Até que um dia, Basílio volta à Lisboa e começa a se mostrar novamente interessado por Luisa. Ele é atraente, culto, viajado, sedutor...Ela resiste, até um dia que cede a tentação. E aí  a história se desenrola, tendo Juliana como vilã principal. Não vou contar mais, até porque não acabei de ler ainda (mesmo assim não ia contar pra não perder a graça se alguém for ler; eu particularmente ODEIO quando me contam o final de filmes, por exemplo). 

Li essa passagem e tive vontade de dividir com vcs e escrever um pouco sobre o tema. Neste momento do livro, o furor da paixão de Luisa e Basílio, dá uma aplainada, eles estão juntos há 3 meses, se vendo praticamente todo dia e ela começa a se questionar sobre os seus sentimentos. Leopoldina, que é citada abaixo, é uma amiga dela, que tem amantes seqüenciais:



"Mas que sentia de extraordinário agora? Bom Deus, começava a estar menos comovida ao pé do seu amante, do que ao pé do seu marido! Um beijo de Jorge perturbava-a mais, e viviam juntos havia 3 anos! Nunca se secara ao pé de Jorge, nunca! E secava-se positivamente ao pé de Basílio! Basílio, no fim, o que se tornara para ela? Era como um marido pouco amado, que ia amar fora de casa! Mas então, valia a pena?...

Onde estava o defeito? No amor mesmo, talvez! Porque enfim, ela e Basílio estavam nas condições melhores para obterem uma felicidade excepcional: eram novos, cercava-os  o mistério, excitava-os a dificuldade...Por que era então que quase bocejavam? É que o amor é essencialmente perecível,  e na hora em que nasce, começa a morrer. Só os começos são bons. Há então um delírio, um entusiasmo, um bocadinho do céu. Mas depois!...Seria pois necessário estar sempre a começar, para poder sempre sentir?...Era o que fazia Leopoldina. E aparecia-lhe então nitidamente a explicação daquela existência de Leopoldina, inconstante, tomando um amante, conservando-o uma semana, abandonando-o como  um limão espremido, e renovando assim constantemente a flor da sensação! - E pela lógica tortuosa dos amores ilegítimos, o seu primeiro amante fazia-a vagamente pensar no segundo!"

OBS: Grifo em itálico do autor, grifo em negrito, meu.



"É que o amor é essencialmente perecível, e na hora em que nasce, começa a morrer. Só os começos são bons." Essas duas frases me chamaram bastante a atenção. Primeiramente, achei que o autor ao dizer amor, quis dizer paixão, pois o que ele descreve é o nítido processo de se apaixonar. Não sei se todo mundo faz essa divisão. Pode até ser que tudo seja amor, sim, mas então existem tipo de amores diferentes, ou o amor se transforma com o tempo, ou as duas coisas coexistam. Ai, sei lá, só sei que arranjei um tema difícil pra escrever. No final das contas, a nomenclatura é algo muito pessoal.

Por um lado, concordo que o amor (de qualquer tipo) seja perecível sim. Se a gente não cuidar, dá zebra, definha. Mas essa é uma outra interpretação que estou fazendo em cima da frase do autor. Acho que a personagem está se referindo neste ponto ao tipo de amor que eu definirei aqui como paixão, tanto que sua próxima frase é  a seguinte: "só os começos são bons". Realmente o começo de uma paixão (seja por um homem, uma mulher, um filho, um trabalho, e tantas outras coisas mil a que estamos sujeitos de nos apaixonar) é um momento inebriante. É como ver o mundo com lentes cor-de-rosa, só vemos as partes boas das pessoas ou  coisas; e, se por um acaso, nos deparamos com coisas não tão agradáveis, tratamos de maquiá-las rapidamente, jogá-las pra baixo do tapete ou fazer "ouvido de mercador". Ficamos energizados, bonitos, radiantes. O desconhecido,  a novidade tem um apelo imensurável. Mesmo que traga junto uma ansiedade e  um medinho...Ou medão! Rsrsrs... Acho que uma das razões para isso acontecer é que o novo traz com ele um milhão de possibilidades. É meio como se fosse aquele lance de Matemática, Progressão Geométrica? Não tenho certeza se é isso, sempre fui péssima em Matemática, mas acho que é...Ou será Aritmética? Deixa pra lá....

É como se o foco da nossa paixão trouxesse junto com ele um leque de chances para nós nos reinvertarmos, para sermos diferentes do que somos hoje, para resgatarmos a nossa mania de idealizar as coisas e as pessoas, para voltarmos a sentir de forma intensa a vida...É, se apaixonar é realmente gostoso...Mas acho que realmente as paixões tem prazo de validade. Pois chega uma hora em que o tempo e o convívio com o foco da paixão se encarregam de transformar as coisas...Na minha opinião, ou ela vira amor ou acaba. Mas existem também as paixões interrompidas, essas podem demorar uma eternidade pra ir embora ou ficar sempre sendo aquela pedra no sapato...

Ao mesmo tempo, se fizermos um contraponto com o amor, onde o desconhecido já virou conhecido (mas não totalmente, é sempre preciso lembrar que falando de pessoas, bichos e plantas, pelas condição de sermos seres vivos, somos sujeitos a mudanças, transformações e comportamentos imprevisíveis dependendo das circunstâncias), o sentimento já é vivido de uma forma mais amena, sem tantos arroubos, o coração ao invés de bater aos pulos, bate sereno... É  também um sentimento maravilhoso de se sentir...Cada um tem o seu valor.


Falando de relacionamentos amorosos, acho que as pessoas escolhem (mesmo que não tenham consciência disso) qual desses sentimentos querem que esteja mais presentes nas suas vidas: tem gente, como por exemplo Vinicius de Moraes, que escolhe viver sempre apaixonado; quando acaba o sentimento de paixão, parte em busca de outra, e depois outra e assim sucessivamente. E é feliz assim. Ou não. Já outras pessoas preferem que amor prepondere em suas vidas: então, aprendem a enfrentar a transição da paixão para o amor, ou já escolhem uma pessoa que amam para dividir suas vidas. Não que essas categorias sejam fixas, pelo resto da vida, acho que as pessoas podem mudar de lado em qualquer momento das suas trajetórias. Aliás, nem gosto muito de falar em categorizações, pois isso implica em dizer que as pessoas "são" (do verbo ser) , e por mais que possamos manter determinadas características por muito tempo na vida (ou até por toda ela) acho que pensar assim aprisiona, reduz  e minimiza a possibilidade das pessoas deixarem de ser o que não é mais interessante, necessário nem produtivo pra elas. Gosto mais de pensar em "estados" (do verbo estar), que podem ter durações variáveis...Acho que isso limita menos...

Há um terceiro tipo, já que resolvi fazer categorias: as que querem o que tem de melhor nos dois lados: querem ter o amor e paixão nas suas vidas, ao mesmo tempo. É como se uma cereja do bolo fosse pouco, elas querem as duas cerejas dos dois bolos. Nada contra nem a favor, que fique bem claro, cada um sabe o que faz da sua vida, dos seus sentimentos e das suas relações e assume a sua responsabilidade por tudo isso. Querem o que o amor tem de bom e o que a paixão tem de bom. É uma escolha também, mas como geralmente o foco do amor é uma pessoa e o foco da paixão é outra, isso pode acabar gerando sentimentos conflitantes e conseqüências sofridas para todos os envolvidos, cedo ou tarde. Quer dizer, em todos não sei. Acredito que tenha gente que conviva bem com isso, que não fique atormentada por amar um e ser apaixonado por outro. Que ache que é assim que a vida deve ser vivida. Outros não, podem sofrer por estarem divididos. Já aqueles que se considerarem traídos ou substituídos, ao descobrir da existência de uma terceira pessoa na sua relação, podem "cair do cavalo", sofrer muito, se sentirem menosprezados, sem valor ou atrativos, etc. Outros podem acabar entendendo a situação (até esses mesmos, que acabei de citar, depois de um tempo) e resolverem continuar com a relação, porque sentem que ela vale a pena, apesar dos pesares...Entre outros tipos de reações. Não dá pra listar todos aqui, levaria uma eternidade e ainda ia esquecer algumas.

Existem também as combinações, onde todos estão de acordo com as regras do jogo, são os chamados atualmente de "relacionamentos abertos". Visualizei agora, um quarto tipo que ainda não tinha pensado: aquelas pessoas que geralmente tiveram experiências dolorosas com o amor e com a paixão e que resolvem se fechar para os dois. Geralmente, se relacionam de forma superficial, e ao mínimo alarme de surgimento de um desses dois sentimentos abandonam o barco, vão embora correndo, pra se defender e se preservar. Ufa! É, esse é um assunto que dá pano pra manga. Dá pra escrever ainda vários posts sobre ele, abordando outras facetas que eu não tenho como abordar aqui agora. As pessoas são complexas pra caramba! E os seus sentimentos e formas de se relacionar, mais ainda... E é essa complexidade e diversidade que me encanta no ser humano...Essa pode ser a simplória conclusão desse post! Um beijo e até mais!

Box com a minissérie da Globo

Filme